
Redes sociais, realidade aumentada, mobilidade e quaisquer outras novidades que venham das novas ferramentas de comunicação já estão
na boca da massa publicitária e de diversos profissionais dentro das empresas, ou seja, não é mais novidade.
A verdade é que está na moda falar de novas tecnologias, mas
poucas empresas usam de forma correta, seja por má assessoria das agências que não sabem o que fazer ou por pouca vontade de realmente se dedicarem a esta transição.
Mas este texto não é sobre este assunto. Irei falar da nova barreira a ser cruzada neste círculo da comunicação
, tendência que a cada dia fica mais forte nas mais variadas indústrias da área, mas que na publicidade ainda está longe.
Este texto é para você que como eu, ficou
mais de 5 anos falando que a internet era o futuro e agora que o futuro chegou precisa de algo novo para impulsionar suas idéias para os próximos 5 anos. ;p
Marketing de FranquiasPara quem não sabe, “franquias” dentro do mundo da comunicação são ações que criam
mundos tão densos e complexos que não conseguem ficar presos dentro de uma única peça, ou um único filme e game, mas extrapolam para continuações e até usos em outras mídias.
No cinema, a história de criar franquias não é novidade, um dos maiores exemplos de sucesso é a marca “Star Wars” que não ficou apenas nas suas continuações para o cinema, mas criou uma legião de consumidores para games, desenhos, livros, bonecos e outros itens de entretenimento que até hoje rendem milhões para seus criadores.
O ponto chave deste exemplo é que a estória não foi desenvolvida com um
começo, meio e fim delimitado, na verdade, criou - se um universo paralelo que instigava nos consumidores a vontade de fazer parte, ou seja, realmente participar daquela aventura.
O estudo sobre estas idéias também não é recente, diversos autores escrevem sobre o Fan-Fiction e como certos itens de comunicação conseguem se multiplicar em outros meios.
Henry Jenkins autor de Fans, Bloggers, and Gamers e Cultura da convergência, cunhou o tema de “transmidia” que serve justamente para esta idéia que aqui neste artigo estamos chamando de “franquias”.
Nos últimos três anos, o mercado de comunicação e todas as suas indústrias se movimentaram para o uso das
franquias como uma forma de aumentar seus lucros. No cinema filmes são criados com a idéia de serem “estouros” e gerarem infinitas continuações, exemplo os filmes de Super Heróis que quando chegam no limite de continuações começam a juntar universos como “Iron Man”, “Thor”, “Hulk” que virarão “Vingadores” num futuro próximo.
Estórias antigas são re-filmadas com o objetivo de terem suas continuações, como também aparecem continuações de filmes que achávamos que não tinha mais o que contar, exemplo
“Toy Story” e outros.Na indústria dos games também não é diferente e para ser sincero acredito que é uma das que mais apresenta este movimento.
Na onda de “Halo”, “Gears of Wars”, “God of War” entre vários outros, qualquer novo título já sai com o objetivo de virar continuação e se não incentivar os usuários a pedirem mais, pode ser considerado um fracasso.
Além disto,
diversos títulos de games estão com data marcada para virarem filmes com a esperança que também gerem suas continuações.
Ok, mas vamos falar de publicidade?Quem segue meus textos sabe que não vejo diferenças entre entretenimento e marketing e por isto não enxergo dificuldades em transportar este mundo de franquias para as marcas das empresas.
Hoje, temos diversas empresas que contam estórias, como também são várias as agências e principalmente as áreas de planejamento destas que se vangloriam de serem exímios contadores de estórias.
Mas então, quais são as marcas que realmente criam um mundo paralelo em volta das suas ações? Sério, que consigo falar apenas umas três ou quatro.A verdade é que as marcas ainda não são das pessoas, elas são propriedades da empresa e no máximo de algumas agências de publicidade que
vêem vantagem em controlar, tudo que é feito e falado sobre este ativo. Assim, estórias com inicio, meio e fim bem delimitados não incentivam a criação de estórias paralelas, “matando”, por enquanto, qualquer iniciativa de franquia nesta área.
Concluindo, chegamos a idéia que a indústria da publicidade precisará de mais algumas mudanças para que a ponte das franquias seja construída.
Um assunto interessante para discutirmos em outros textos. ;p