Dê algo para o consumidor e ele vai te ouvir com a mesma atenção que você dedicou a ele. No ultimo texto, pedi para os leitores serem flexíveis, pois apenas questionando e recebendo as mudanças, entenderemos o estado atual da comunicação.
A base da inovação está em questionar. As melhorias e as invenções nascem das perguntas, e apenas aceitar respostas não leva a humanidade à evolução.
O objetivo deste texto é retomar uma idéia que diversos publicitários utilizam em suas campanhas atuais, que é a de recompensar os consumidores. Acredito que estas
ações representam uma mudança gigantesca e neste texto pretendo questionar, se não estamos em uma nova fase da publicidade. Entendendo a técnica publicitária como a comunicação de produtos e serviços visando venda, temos que:
1° fase da publicidade: Anunciar – Representa uma comunicação simples apenas avisando que naquele espaço existe determinado produto ou serviço. Por exemplo – O padeiro em uma pequena vila, ele era o único, por isto sua publicidade se limitava apenas a colocar uma placa falando que em seu estabelecimento vendiam-se pães. Ele apenas anunciava seu produto.
2° fase da publicidade: Diferenciar – A revolução técnica

permite uma produção em escala e permite que diversos concorrentes entrem no mercado. Neste momento é necessário diferenciar. Se o produto na essência é a mesma coisa, crie algo que o torne único para o consumidor.
Nesta linha surge a publicidade tradicional, a figura do publicitário criativo e os espaços de mídia que aumentavam a exposição da mensagem. Repetindo “over e over” a mesma mensagem, para que fixe na mente dos consumidores.
Assim o padeiro da vila começa a diferenciar seu produto através da mensagem disponibilizada em diversos locais, que seu pão é mais “crocante” que o da concorrência.
Esta base não muda há algumas décadas e o jovem publicitário que entrar na faculdade hoje, em 80% das faculdades aprenderá que esta é a única forma de se comunicar algum produto.
3° fase da publicidade – Recompensar – Esta fase muitos conhecem e chamam como: “dar conteúdo”, “gerar experiência” e outros.
Na verdade, a idéia básica é que a empresa e os novos publicitários devem recompensar, de alguma maneira, para que a pessoa consuma a publicidade em um primeiro momento e só durante este processo que se comunique o produto de forma natural.
Para não confundir, o que motivou a segunda fase foi uma massificação dos produtos e serviços,
já o que vai incentivar a terceira fase é a massificação da comunicação. 
De uma fase em que os publicitários e os meios de massa eram a única voz com relevância para as empresas, passamos por mais uma evolução técnica, onde uma enxurrada de informação compete com estas duas vozes e repetição/criatividade não geram o mesmo resultado.
Chegamos na época em que é necessário diferenciar a comunicação dos produtos, e não basta apenas ser criativo, pois antes o consumidor estava preso a sua propaganda no intervalo da novela, hoje ele pode pular ou apertar o “mute” e ir para o computador, buscar algo que lhe gere algum valor.
Neste momento o publicitário precisa ser criativo e
dar algo que recompense o tempo que o consumidor irá perder, absorvendo a sua propaganda, e só depois de vendida a propaganda, que ele vai vender o produto de seu cliente. Preste atenção nas campanhas de sucesso atualmente, boa parte delas utilizam deste mecanismo, eles são criativos em gerar diversas recompensas na comunicação em vez de apenas espalhar uma mensagem única em diversos meios.
Está idéia de 360, que é a de pegar uma mesma mensagem e espalhar em diversos canais é limitada e ainda está na segunda fase, pois foca na idéia de diferenciar e repetir over e over, mas agora em mais canais.
Na verdade
o usuário que viu um vt na TV, não quer ver ele de novo no site da empresa, mas deseja recompensas diferentes nas mesmas campanhas. Por exemplo ver uma edição diferente só para a web e poder indicar para seus amigos, acaba que o consumidor ganha algo com isto, ele é recompensado.
A estratégia de
uma boa campanha de recompensa pode ser comparada com um jogo de vídeo game, isto mesmo, o que te leva a zerar completamente um jogo como o Super Mario Bros, não é apenas a idéia de salvar a Princesa no final do game.

Se este fosse a única recompensa, lá pela terceira fase você desistiria, mas não.... no Super Mario a cada rodada de fases você recebe pequenas recompensas que te estimulam a continuar o jogo, primeiro você pega o Yoshi, depois ganha a Pena para voar e por ai vai,
ganhando mais e mais recompensas diferentes que te estimulam a continuar o game e chegar no final.
Agora em uma campanha desta nova fase da publicidade, acontece basicamente a mesma coisa,
cada ação deve ser uma recompensa para atingir o objetivo final. A publicidade tradicional e os anúncios não irão sumir, mas auxiliarão este mecanismo, vendendo não o produto, mas a comunicação e a recompensa.
As estratégias das campanhas serão formatadas em pequenas recompensas que farão o consumidor passar de uma plataforma para outra e neste processo receber a publicidade, sem interromper e nem agredir, ele está participando de algo por que quer. Um exemplo de campanha recente usava uma revista com o objetivo de chamar para o site, ela não repetia a comunicação, mas
através da revista dava uma recompensa para que o usuário fosse para o site. Só no site que existia uma comunicação de venda, através de um jogo que tinha o produto, que acaba por ser uma segunda recompensa.
Outro exemplo é o
seu vídeo viral que você achou interessante, mas quase ninguém está falando ou vendo. O que aconteceu de errado?
Você pensou em uma recompensa? O que o usuário vai ganhar vendo seu vídeo? E repassando ele para sua pequena rede de amigos?
Existe uma recompensa para ver o vídeo e existe outra para que o usuário passe para alguém.Ser engraçado já basta para uma visualização, pois é uma recompensa ter alguns momentos de alegria, mas para espalhar a comunicação é preciso pensar em outra recompensa, pois quando se transmite algo, isto fica ligado a pessoa.
Transmitir informações favoráveis para sua rede de amigos é uma recompensa também, pois o usuário ganha pontos e o conteúdo e o momento engraçado ficam ligados aquela pessoa.
Continuando o viral é um incentivo, mas ele não deve ser finito, assim como também usar apenas o espaço da TV de 30 segundos para comunicar algo que termine por ali mesmo.
A idéia é incentivar através de pequenas recompensas diferentes em diversos espaços, uma ação maior que será mais natural e neste momento é que venderemos realmente o produto para o consumidor.Em vez de repetir infinitas vezes um vt na TV– faça algo impactante que as próprias pessoas coloquem no youtube e de lá ganhe suas repetições, use parte da verba que iria apenas para os meios de mídia e crie uma canal para as pessoas falarem.
Acredito que o futuro da publicidade está na lei da ação e reação. O que as empresas e os publicitários darem para o consumidor, voltará em vendas para eles.Não confunda recompensa com promoção, a recompensa tem que ser para todos os clientes e não apenas alguns escolhidos ou sorteados, nem pode exigir muito do consumidor, como trocar cupons ou juntar tampinhas. A idéia representa alguma satisfação momentânea que a empresa está gerando para seus consumidores.
Estas informações
são apenas questões para a reflexão, aqui não é um modelo, mas apenas algo para pensar e questionar também. No outro texto tratarei algumas maneiras de pensar este planejamento por recompensa.