
O BARQUEIRO e o PROFESSOR
AUTOR DESCONHECIDO
Era uma vez... um brilhante professor, muito culto e estudioso,
admirado pela comunidade universitária pelo seu douto saber. Um dia,
ao sair da universidade, ele precisou atravessar o rio. Então, chamou o
barqueiro que ali ganhava a vida transportando pessoas de um lado para
o outro do rio. O professor perguntou o preço, pagou e entrou na pequena
barca. Mal se assentou, puxou conversa com aquele homem simples que
se punha a remar em direção da outra margem:
O senhor está sabendo das últimas novidades da cibernética?
Não, Sinhô. Nunca ouvi falar nessa tal cibernética que o Sinhô tá
falando!
O senhor está sabendo das últimas novidades da engenharia genética,
onde um cientista conseguiu fazer um clone de uma ovelha?
Eu não sei o que é clone e também nunca ouvi falar em tal coisa!
E sobre a telefonia celular, o senhor já ouviu falar?
Não, sinhô, eu nunca ouvi falar nesta tal de dona telefonia celular!
Mas o senhor não sabe nada. Está no mundo apenas de corpo
presente. É um ignorante. É preciso ler, estudar, inteirar-se da realidade,
senão o senhor ficará alienado, sem conhecimento e o ignorante não vive:
vegeta.
Oia Professô, eu nunca ouvi falar em nada disso que o sinhô tá
falando, eu trabaio desde menino e nunca alisei banco de escola. Eu aprendi
a plantar, a pescar, a remar, a nadar e mais um monte de outras coisas,
mas foi tudo na escola da vida.
Cuiiidaaaado?! Puft!
O barco bateu numa ponta de pau, teve o fundo furado e começou
a se encher de água. Sem sucesso, o barqueiro tentou tirar a água de dentro
do barco, mas, quando percebeu que não conseguiria, pois a embarcação
já começava a afundar, perguntou apavorado:
Professôô, o sinhôô sabe nadar?
Não, eu não sei nadar! respondeu apavorado.
Então, eu lamento... Tibuuuumm.
"A frustração de um jovem idealista, recém-formado, aluno brilhante,
dedicado, cheio de idéias teóricas ao buscar uma disputad
íssima vaga no mercado de trabalho, é descobrir que sem experi-
ência não terá um lugar ao sol. Desiludido, ele volta à universidade
para fazer sua pós-graduação. Ao terminar, continua faltando-lhe o
conhecimento prático, o que acaba por levá-lo a se tornar um professor
universitário. Vítimas do sistema, continuarão ensinando o
que leram nos livros e o que ouviram falar. Assim, a universidade
segue sozinha, do outro lado do rio, formando desempregados e
frustrados das grandes empresas. E a juventude, que antes era a esperan
ça do futuro, agora se torna problema social."






